17
MAIO-JUNHO 2017
CRÓNICAS ESPACIAIS
silício, carbono e alumínio, em grãos
muito pequenos, com dimensões de
umamilionésima parte do centímetro.
Os elementos químicos destes grãos
são formados no interior das estrelas
e libertados para omeio quando estas
morrem em espectaculares explosões
de supernovas, o destino final das
estrelas massivas com vidas curtas.
No Universo atual estas poeiras exis-
tem em grandes quantidades, consti-
tuindo peças fundamentais na forma-
ção de estrelas, planetas e moléculas
complexas; no entanto no Universo
primordial — antes da primeira gera-
ção de estrelas ter morrido—a poeira
era bastante escassa. Foi possível
obter observações da galáxia “poei-
renta” A2744_YD4 porque este objeto
se encontra por detrás de um enxame
de galáxias massivo chamado Abell
2744. Devido a um fenómeno físico
chamado lente gravitacional, o en-
xame atua como um “telescópio” cós-
mico gigante capaz de ampliar cerca
de 1,8 vezes a galáxia mais distante
A2744_YD4 e permitindo assim aos
astrónomos observá-la no Universo
primordial. As observações ALMA de-
tectaram igualmente emissão bril-
hante de oxigénio ionizado vinda da
A2744_YD4. Trata-se da mais longín-
qua, e consequentemente mais an-
tiga, detecção de oxigénio feita até à
data, ultrapassando mesmo um ante-
rior resultado do ALMA obtido em
2016. A detecção de poeira no Uni-
verso primordial dá-nos informação
importante sobre a altura em que
E
sta impressão artística mostra
como poderá ser a galáxia jovem
muito distante A2744_YD4. Observa-
ções obtidas pelo ALMA mostraram
que esta galáxia, observada quando
o Universo tinha apenas 4% da sua
idade atual, é rica é poeira. Tal po-
eira é produzida numa geração an-
terior de estrelas e por isso estas
observações dão-nos importantes
pistas sobre o nascimento e morte
explosiva das primeiras estrelas do
Universo. [ESO/M. Kornmesser]




