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CRÓNICAS ESPACIAIS
sini mostrou que a Enceladus – uma
lua pequena e gelada mil milhões de
milhas mais distante do Sol que a
Terra – tem quase todos estes ingre-
dientes para habitabilidade. A Cas-
sini ainda não mostrou que fósforo e
enxofre se encontram presentes no
oceano, mas cientistas suspeitam que
lá estejam, dado que o núcleo ro-
choso de Enceladus pensa-se ser qui-
micamente semelhante a meteoritos
que contêm os dois elementos.
“Confirmação de que a energia quí-
mica para a vida existe no oceano de
uma lua pequena de Saturno é um
passo importante na nossa busca por
mundos habitáveis para lá da Terra,”
disse Linda Spilker, cientista do pro-
jeto Cassini no Jet Propulsion Labo-
ratory (JPL) da NASA em Pasadena,
Califórnia. A nave espacial Cassini de-
tetou o hidrogénio na pluma de gás e
material gelado a borrifar de Encela-
dus durante o seu último e mais baixo
mergulho pela pluma a 28 de outu-
bro de 2015. Cassini também recolheu
amostras da composição da pluma
durante flybys mais cedo na missão.
A partir destas observações, os cientis-
tas determinaram que quase 98 por-
cento do gás na pluma é água, cerca
de 1 porcento é hidrogénio e o resto
é uma mistura de outras moléculas in-
cluindo dióxido de carbono, metano
e amoníaco. A medição foi feita utili-
zando o instrumento Ion and Neutral
Mass Spectrometer da Cassini, que
cheira gases para determinar a sua
composição. O INMS foi concebido
para recolher amostrar da atmosfera
superior da lua de Saturno Titã. Após
a surpreendente descoberta de Cas-
sini de uma pluma imponente de
spray gelado em 2005, emanando de
rachas quentes perto do polo sul, os
cientistas rodaram os seus detetores
em direção à lua pequena.
Cassini não foi concebida para detetar
sinais de vida na pluma de Enceladus
– de facto, os cientistas não sabiam
que a pluma existia até após a nave
espacial ter chegado a Saturno.
“Apesar de não conseguirmos detetar
vida, descobrimos que há uma fonte
de alimento lá para isso. Seria como
uma loja de doces para micróbios,”
disse Hunter Waite, autor principal do
estudo da Cassini. As novas descober-
tas são uma linha de provas indepen-
dente de que atividade hidrotérmica
E
stas imagens compostas mostram uma pluma suspeita de material a entrar em
erupção com dois anos de separação do mesmo local na lua gelada de Júpiter
Europa. Ambas as plumas, fotografadas em luz UV pelo Hubble, foram vistas em
silhueta há medida que a lua passou à frente de Júpiter. [NASA/ESA/STScI/USGS]




