CRÓNICAS ESPACIAIS
E
sta ilustração de três frames mostra como um grupo de estrelas se pode romper, lançando os membros para o espaço.
O primeiro painel mostra quatro membros de um sistema estelar múltiplo a orbitarem-se uns aos outros. No segundo
painel, duas das estrelas movem-se para perto uma da outra nas suas órbitas. No terceiro painel, as estrelas a orbitar pro-
ximamente eventualmente ou se fundem ou formam um binário contrito. Este evento liberta energia gravitacional sufi-
ciente para propulsionar todas as estrelas no sistema para fora. [NASA, ESA, and Z. Levy (STScI)]
em 1998 pela Near Infrared Camera
and Multi-Object Spectrometer (NIC-
MOS). Ele reparou que a fonte x
tinha alterado a sua posição conside-
ravelmente, relativamente a estrelas
próximos ao longo dos 17 anos entre
as imagens do Hubble, indicando
que a estrela se estava a mover rapi-
damente, a cerca de 130000 milhas
por hora.
O astrónomo depois olhou para a lo-
calização anterior da estrela, proje-
tando o seu percurso para trás no
tempo. Ele percebeu que nos anos
1470s a fonte x tinha estado perto da
mesma localização inicial na Klein-
mann-Low Nebula que duas outras
estrelas fugitivas, Becklin-Neuge-
bauer (BN) e a “fonte I.”
BN foi descoberta em imagens a in-
fravermelho em 1967, mas o seu mo-
vimento rápido não foi detetado até
1995, quando observações rádio me-
diram a velocidade da estrela em
60000 milhas por hora. A fonte I está
a viajar a aproximadamente 22000
milhas por hora. A estrela só tinha
sido detetada em observações rádio;
porque está tão fortemente envol-
ta em poeira, a sua luz visível e infra-
vermelha é maioritariamente blo-
queada.
“As três estrelas forammuito
provavelmente expulsas da sua casa
quando entraram num jogo de bilhar
gravitacional,”
disse Luhman. O que
normalmente ocorre quando um sis-
tema múltiplo se despedaça é duas
estrelas membro aproximarem-se o
suficiente para fundirem ou formar
um binário muito contrito. Seja qual
for o caso, o evento liberta energia
gravitacional suficiente para propul-
sionar todas as estrelas no sistema
para fora. O episódio energético tam-
bém produz um escoamento massivo
de material, que é visto nas imagens
da NICMOS como dedos de matéria a
sair da localização da estrela embe-
bida na fonte I. Telescópios futuros,
como o James Webb Space Telescope,
serão capazes de observar uma
grande faixa da Orion Nebula. Ao
comparar imagens da nébula tiradas
pelo telescópio Webb com as tiradas
pelo Hubble anos antes, os astróno-
mos esperam identificar mais estrelas
fugitivas de outros sistemas estelares
múltiplos que se romperam.
n
vitacionais deveriam ocorrer em aglo-
merados jovens, onde estrelas recém-
nascidas estão muito juntas.
“Mas
não observámos muitos exemplos,
especialmente em aglomerados mui-
to jovens,”
disse Luhman.
“A Orion
Nebula pode estar rodeada por es-
trelas adicionais que foram ejetadas
dela no passado e estão agora a via-
jar pelo espaço.”
Os resultados da equipa foram publi-
cados na edição de 20 de março de
2017 da
The Astrophysical Journal
Letters
. Luhman deparou-se com a
terceira estrela em movimento rá-
pido, chamada “fonte x”, enquanto
procurava planetas a flutuar livre-
mente pela Orion Nebula como mem-
bro de uma equipa internacional li-
derada por Massimo Robberto do
Space Telescope Science Institute em
Baltimore, Maryland.
A equipa utilizou a visão perto do in-
fravermelho da Wide Field Camera 3
do Hubble para conduzir a investiga-
ção. Durante a análise, Luhman es-
tava a comparar as novas imagens a
infravermelho tiradas em 2015 com
observações a infravermelho tiradas




