Table of Contents Table of Contents
Previous Page  49 / 54 Next Page
Information
Show Menu
Previous Page 49 / 54 Next Page
Page Background

CRÓNICAS ESPACIAIS

gador da ESA-AURA no Space Tele-

scope Science Institute, USA.

A equipa calculou que o buraco ne-

gro já viajou 35000 anos-luz do cen-

tro, que é mais do que a distância

entre o Sol e o centro da Via Láctea.

E continua o seu voo a uma veloci-

dade de 7,5 milhões de quilómetros

por hora. A esta velocidade, o buraco

negro poderia viajar da Terra à Lua

em três minutos. Como o buraco ne-

gro não pode ser observado direta-

mente, a sua massa e velocidade fo-

ram determinadas via análise espe-

troscópica do seu gás rodeante.

Apesar de outros cenários que expli-

cam as observações não poderem ser

excluídos, a fonte mais provável da

energia propulsiva é que este buraco

negro supermassivo levou um pon-

tapé de ondas gravitacionais desen-

cadeadas pela fusão de dois buracos

negros massivos no centro da sua ga-

láxia anfitriã. Esta teoria é defendida

por marés de perturbação em forma

de arco identificadas pelos cientistas,

produzidas por um puxão gravitacio-

nal entre duas galáxias a colidir.

Segundo a teoria apresentada pelos

cientistas, há 1 ou 2 mil milhões de

anos duas galáxias – cada uma com

buracos negros massivos centrais –

fundiram. Os buracos negros rodo-

piaram à volta um do outro no cen-

tro da nova galáxia elíptica que se

formou, criando ondas gravitacionais

que foram emitidas como água de

um regador de jardim. Os buracos

negros ficam mais próximos ao lon-

go do tempo há medida que irra-

diam energia gravitacional. Dado

que os dois buracos negros não tin-

ham a mesma massa e velocidade

rotacional, emitiam ondas gravita-

cionais com mais força para uma di-

reção.

Quando os dois buracos negros fi-

nalmente se fundiram, a emissão

anisotrópica de ondas gravitacionais

gerou um pontapé que disparou o

buraco negro resultante para fora

do centro galáctico.

“Se a nossa teoria estiver correta, as

observações providenciam fortes evi-

dências de que buracos negros super-

massivos podem mesmo fundir-se,”

explica Stefano Bianchi acerca da im-

portância da descoberta.

“Existem já

provas de colisões de buracos negros

para buracos negros de massa es-

telar, mas o processo que regula bu-

racos negros supermassivos é mais

complexo e ainda não completa-

mente compreendido.”

Os investigadores tiveram a sorte de

ter capturado este evento único por-

que nem todas as fusões de buracos

negros produzem ondas gravitacio-

nais desequilibradas que impulsio-

nam um buraco negro para fora da

galáxia. A equipa agora pretende

assegurar mais tempo de observa-

ção com o Hubble, em combinação

com o Atacama Large Millimeter/

submillimeter Array (ALMA) e ou-

tros, para medir com mais precisão

a velocidade do buraco negro e do

seu disco gasoso rodeante, que po-

derá conter mais pistas acerca da na-

tureza deste raro objeto.

n

E

stas ilustrações mostram como dois

buracos negros supermassivos se fun-

dem para formar um único buraco negro

que depois foi ejetado para fora da sua

galáxia paterna. Painel 1: Duas galáxias

estão a interagir e finalmente fundem-se

uma com a outra. Os buracos negros su-

permassivos nos seus centros são atraídos

um para o outro. Painel 2: Logo que os

dois buracos negros supermassivos ficam

próximos, começam a orbitar um ao

outro, criando no processo fortes ondas

gravitacionais. Painel 3: Há medida que ir-

radiam energia gravitacional, os buracos

negros aproximam-se um do outro ao

longo do tempo e finalmente fundem-se.

Painel 4: Se os dois buracos negros não

tiverem a mesma massa e velocidade ro-

tacional, emitem ondas gravitacionais

com mais intensidade para uma direção.

Quando os dois buracos negros final-

mente colidem, param de produzir ondas

gravitacionais e o novo buraco negro fun-

dido recua na direção oposta às ondas

gravitacionais mais fortes e é disparada

para fora da sua galáxia paterna. [NASA,

ESA/Hubble, and A. Feild/STScI]