CRÓNICAS ESPACIAIS
gador da ESA-AURA no Space Tele-
scope Science Institute, USA.
A equipa calculou que o buraco ne-
gro já viajou 35000 anos-luz do cen-
tro, que é mais do que a distância
entre o Sol e o centro da Via Láctea.
E continua o seu voo a uma veloci-
dade de 7,5 milhões de quilómetros
por hora. A esta velocidade, o buraco
negro poderia viajar da Terra à Lua
em três minutos. Como o buraco ne-
gro não pode ser observado direta-
mente, a sua massa e velocidade fo-
ram determinadas via análise espe-
troscópica do seu gás rodeante.
Apesar de outros cenários que expli-
cam as observações não poderem ser
excluídos, a fonte mais provável da
energia propulsiva é que este buraco
negro supermassivo levou um pon-
tapé de ondas gravitacionais desen-
cadeadas pela fusão de dois buracos
negros massivos no centro da sua ga-
láxia anfitriã. Esta teoria é defendida
por marés de perturbação em forma
de arco identificadas pelos cientistas,
produzidas por um puxão gravitacio-
nal entre duas galáxias a colidir.
Segundo a teoria apresentada pelos
cientistas, há 1 ou 2 mil milhões de
anos duas galáxias – cada uma com
buracos negros massivos centrais –
fundiram. Os buracos negros rodo-
piaram à volta um do outro no cen-
tro da nova galáxia elíptica que se
formou, criando ondas gravitacionais
que foram emitidas como água de
um regador de jardim. Os buracos
negros ficam mais próximos ao lon-
go do tempo há medida que irra-
diam energia gravitacional. Dado
que os dois buracos negros não tin-
ham a mesma massa e velocidade
rotacional, emitiam ondas gravita-
cionais com mais força para uma di-
reção.
Quando os dois buracos negros fi-
nalmente se fundiram, a emissão
anisotrópica de ondas gravitacionais
gerou um pontapé que disparou o
buraco negro resultante para fora
do centro galáctico.
“Se a nossa teoria estiver correta, as
observações providenciam fortes evi-
dências de que buracos negros super-
massivos podem mesmo fundir-se,”
explica Stefano Bianchi acerca da im-
portância da descoberta.
“Existem já
provas de colisões de buracos negros
para buracos negros de massa es-
telar, mas o processo que regula bu-
racos negros supermassivos é mais
complexo e ainda não completa-
mente compreendido.”
Os investigadores tiveram a sorte de
ter capturado este evento único por-
que nem todas as fusões de buracos
negros produzem ondas gravitacio-
nais desequilibradas que impulsio-
nam um buraco negro para fora da
galáxia. A equipa agora pretende
assegurar mais tempo de observa-
ção com o Hubble, em combinação
com o Atacama Large Millimeter/
submillimeter Array (ALMA) e ou-
tros, para medir com mais precisão
a velocidade do buraco negro e do
seu disco gasoso rodeante, que po-
derá conter mais pistas acerca da na-
tureza deste raro objeto.
n
E
stas ilustrações mostram como dois
buracos negros supermassivos se fun-
dem para formar um único buraco negro
que depois foi ejetado para fora da sua
galáxia paterna. Painel 1: Duas galáxias
estão a interagir e finalmente fundem-se
uma com a outra. Os buracos negros su-
permassivos nos seus centros são atraídos
um para o outro. Painel 2: Logo que os
dois buracos negros supermassivos ficam
próximos, começam a orbitar um ao
outro, criando no processo fortes ondas
gravitacionais. Painel 3: Há medida que ir-
radiam energia gravitacional, os buracos
negros aproximam-se um do outro ao
longo do tempo e finalmente fundem-se.
Painel 4: Se os dois buracos negros não
tiverem a mesma massa e velocidade ro-
tacional, emitem ondas gravitacionais
com mais intensidade para uma direção.
Quando os dois buracos negros final-
mente colidem, param de produzir ondas
gravitacionais e o novo buraco negro fun-
dido recua na direção oposta às ondas
gravitacionais mais fortes e é disparada
para fora da sua galáxia paterna. [NASA,
ESA/Hubble, and A. Feild/STScI]




