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CRÓNICAS ESPACIAIS

A matéria escura era

menos influente no

Universo primordial

por ESO

Margarida Serote

A

matéria normal apresenta-se

sob a forma de estrelas bril-

hantes, gás resplandescente e

nuvens de poeira. No entanto, a ma-

téria escura mais elusiva não emite,

absorve ou reflete luz e por isso ape-

nas pode ser observada através dos

seus efeitos gravitacionais. A presença

de matéria escura explica por que é

que as regiões mais externas das galá-

xias em espiral próximas rodam mais

rapidamente do que o que seria de

esperar se apenas estivesse presente a

matéria normal que observamos de

forma direta. Uma equipa internacio-

nal de astrónomos, liderada por Rein-

hard Genzel do Instituto Max Planck

de Física Extraterrestre em Garching,

na Alemanha, utilizou os instrumen-

tos KMOS e SINFONI montados no

Very Large Telescope do ESO, no Chile,

para medir a rotação de seis galáxias

massivas a formar estrelas no Universo

distante, na época do pico da forma-

ção galáctica, há 10 mil milhões de

anos atrás. O que a equipa descobriu

é assaz intrigante: contrariamente às

galáxias em espiral presentes no Uni-

verso atual, as regiões externas destas

galáxias distantes parecem rodar mais

lentamente que as regiões mais pró-

ximas do núcleo — sugerindo que

existe menos matéria escura presente

do que o esperado.

“Surpreendente-

mente, as velocidades de rotação não