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CRÓNICAS ESPACIAIS

são constantes, mas diminuem

com a distância ao centro das

galáxias,”

comenta Reinhard

Genzel, autor principal do ar-

tigo científico publicado na

Nature

.

“Existemmuito prova-

velmente duas causas para este

facto. A primeira é que estas

galáxias massivas primordiais

são fortemente dominadas por

matéria normal, com a matéria

escura a desempenhar um pa-

pel muito menos preponde-

rante do que no Universo local.

A segunda é que estes discos

primordiais são muito mais turbulen-

tos do que as galáxias em espiral que

observamos na nossa vizinhança cós-

mica.”

Ambos estes efeitos parecem

tornar-se mais marcados à medida

que os astrónomos observam cada vez

mais longe no passado, em direção ao

Universo primordial. Este facto sugere

que três a quatro mil milhões de anos

após o Big Bang, o gás nas galáxias já

se encontrava eficientemente con-

densado em discos planos em rota-

ção, enquanto os halos de matéria

escura que os rodeavam eram muito

maiores e mais dispersos. Aparente-

mente foram precisos milhares de

milhões de anos para que a matéria

escura também se condensasse, razão

pela qual o seu efeito dominante é

apenas observado atualmente.

Esta explicação é consistente com as

observações, que mostram que as ga-

láxias primordiais eram muito mais

ricas em gás e muito mais compactas

do que as galáxias atuais.

As seis galáxias mapeadas neste

estudo fazem parte de uma amostra

muito maior composta por uma cen-

tena de discos longínquos a formar

estrelas, observados pelos instrumen-

tos KMOS e SINFONI, montados no

Very Large Telescope do ESO no Ob-

servatório do Paranal , no Chile.

Para além das medições das galáxias

individuais descritas acima, foi tam-

bém criada uma curva de rotação

média combinando os sinais mais

fracos das outras galáxias. Esta curva

composta mostra igualmente a mes-

ma tendência de diminuição da velo-

cidade quando nos afastamos dos

centros das galáxias. Adicionalmen-

te, dois outros estudos de 240 discos

a formar estrelas apoiam igualmente

estes resultados.

Modelos detalhados mostram que,

enquanto a matéria normal repre-

senta em média cerca de metade da

massa total de todas as galáxias, para

elevados desvios para o vermelho esta

matéria domina completamente a di-

nâmica das galáxias.

n

R

epresentação esquemática de galáxias

com discos em rotação no Universo pri-

mordial (à direita) e atual (à esquerda). Obser-

vações feitas com o Very Large Telescope do

ESO sugerem que tais galáxias massivas com

discos a formar estrelas no Universo primor-

dial eram menos influenciadas pela matéria

escura (mostrada a vermelho), uma vez que

esta se encontrava menos concentrada. Como

resultado, as regiões mais exteriores das galá-

xias distantes rodam mais lentamente do que

as regiões comparáveis em galáxias do Uni-

verso local. As suas curvas de rotação, em vez

de se apresentarem planas, decrescem com

o aumento do raio. [ESO/L. Calçada]