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MAIO-JUNHO 2017
CRÓNICAS ESPACIAIS
incluindo choques no gás ou núcleos ac-
tivos na galáxia. A equipa detectou se-
guidamente, sem sombra de dúvidas e
de forma directa, uma população este-
lar bebé nos jactos. Isto foi conseguido
pela detecção de assinaturas caracte-
rísticas de populações jovens e com um
padrão de velocidades consistente com
o que se espera de estrelas formadas
em jactos a alta velocidade. Pensa-se
que estas estrelas tenham uma idade
inferior a algumas dezenas de milhões
de anos e análises preliminares sugerem
que estes objectos são mais quentes e
brilhantes do que estrelas que se for-
mam em meios menos extremos tais
como os discos galácticos.
Como evidências adicionais, os astróno-
mos determinaram igualmente o movi-
mento e a velocidade destas estrelas. A
radiação emitida pela maioria das es-
trelas na região indica que estas se des-
locam a altas velocidades afastando-se
do centro da galáxia — o que faz sen-
tido para objectos “apanhados” numa
corrente de material que se desloca a
alta velocidade.
A co-autora Helen Russell (Institute of
Astronomy, Cambridge, RU), explica:
“As estrelas que se formam no vento
próximo do centro galáctico podem
abrandar ou até começar a vir para trás,
mas as estrelas que se formam mais
longe apresentam menos desacelera-
ção, podendo inclusivamente deslocar-
se para fora da galáxia.”
Esta descoberta fornece-nos nova in-
formação que ajudará à compreensão
de vários fenómenos astrofísicos, no-
meadamente como é que certas galá-
xias obtêm as suas formas; como é que
o meio intergaláctico se enriquece de
elementos pesados e, inclusivamente,
onde é que terá origem a inexplicável
radiação cósmica de fundo infraver-
melha. Maiolino está entusiasmado
com o futuro: “Se tivermos de facto for-
mação estelar a ocorrer na maioria dos
jactos galácticos, como algumas teorias
prevêem, então poderemos ter um ce-
nário completamente diferente de evo-
lução galáctica.”
I
mpressão artística de uma galáxia a
formar estrelas no seio dos podero-
sos jactos de matéria que são lançados
a partir do buraco negro supermassivo
situado no núcleo da galáxia. Com o
auxílio do Very Large Telescope do
ESO, uma equipa de astrónomos fez
as primeiras observações confirmadas
de estrelas em formação neste tipo de
ambiente extremo. A descoberta tem
muitas consequências para a compre-
ensão da evolução e propriedades das
galáxias. [ESO/M. Kornmesser]
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