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MAIO-JUNHO 2017
CRÓNICAS ESPACIAIS
qual algumas galáxias param de formar
novas estrelas à medida que envelhe-
cem. Embora estes jactos tenham muito
provavelmente a sua origem emburacos
negros supermassivos centrais, também
é possível que estes ventos sejam ali-
mentados por supernovas num núcleo
com formação estelar explosiva, ou seja,
que se encontra a formar estrelas de
forma vigorosa.
“Os astrónomos já sus-
peitavam desde há algum tempo que as
condições no seio destes jactos fossemas
certas para a ocorrência de formação
estelar, no entanto ainda ninguém tinha
observado o fenómeno a ocorrer, já que
se trata de uma observação muito difí-
cil,”
disse o líder da equipa Roberto Ma-
iolino da Universidade de Cambridge.
“Os nossos resultados são excitantes
porque mostram sem ambiguidade que
se estão a formar estrelas no interior
destes jactos.”
A equipa resolveu estu-
dar as estrelas que se encontram direc-
tamente nos jactos, assim como o gás
que as rodeia. Os instrumentos espec-
troscópicos MUSE e X-shooter, ambos lí-
deres mundiais, permitiram à equipa
levar a cabo um estudo muito detalhado
das propriedades da radiação emitida,
de modo a identificar a sua fonte.
Sabe-se que a radiação emitida por
estrelas jovens faz resplandecer de
modo particular as nuvens de gás pró-
ximas. A extrema sensibilidade do X-
shooter permitiu à equipa descartar
outras causas possíveis para este brilho,
Estrelas nascidas em
ventos de buracos
negros supermassivos
por ESO / Margarida Serote
U
m grupo de astrónomos europeus
liderado pelo Reino Unido utili-
zou os instrumentos MUSE e X-
shooter montados no Very Large Te-
lescope (VLT), no Observatório do Para-
nal do ESO no Chile, para estudar uma
colisão a ocorrer entre duas galáxias,
chamadas colectivamente IRAS F23128-
5919, situadas a cerca de 600 milhões de
anos-luz de distância da Terra. A equipa
observou os ventos colossais de matéria
— ou jactos — que têm origem perto do
buraco negro supermassivo situado no
coração da galáxia do par mais a sul e
descobriu evidências claras de formação
de estrelas a ocorrer nestes jactos. As
estrelas formam-se nos jactos a taxas
muito elevadas; os astrónomos pensam
que são formadas estrelas correspon-
dentes a um total de 30 vezes a massa
do Sol por ano, o que equivale a mais de
um quarto da formação estelar em todo
este sistema de galáxias em fusão.
Este tipo de jactos galácticos tem origem
na enorme libertação de energia por
parte dos centros activos e turbulentos
das galáxias. Os buracos negros super-
massivos “escondem-se” no coração da
maioria das galáxias e ao “engolirem”
matéria aquecem o gás circundante, lan-
çando-o para fora da galáxia hospedeira
sob a forma de ventos densos e podero-
sos. A expulsão do gás sob a forma de
jactos galácticos dá origem a um meio
pobre em gás no interior da galáxia, o
que pode muito bem ser a razão pela




